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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Contemplo o Lago (Fernando Pessoa)

Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz, 
Não sinto a brisa mexê-lo.
Não sei se sou feliz,
Nem se desejo sê-lo.
Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
 A minha única vida?
 
Fernando Pessoa 
 aquarelas e sonhos

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